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Demanda da Petrobras sustenta indústria naval
Autor: Jornal Valor Econômico
Incluído no site em 15/03/2010
O desenvolvimento da indústria naval brasileira tem se sustentado, nos últimos anos, mais na forte demanda da Petrobras e de sua subsidiária de logística, a Transpetro, do que em uma articulação das diferentes esferas do governo em torno de uma política setorial, conforme especialistas ouvidos pelo Valor. Um dos grandes problemas, apesar da retomada das encomendas de navios e plataformas, é que o Brasil continua a importar a maior parte dos equipamentos de maior valor agregado. O conteúdo nacional mínimo exigido é garantido, basicamente, por meio do fornecimento de aço e mão-de-obra, dizem fontes do setor.

Entre os agentes da indústria naval, há opiniões divergentes sobre os resultados da inclusão do setor na política industrial do governo. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) faz uma avaliação favorável da aplicação da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP).

Diz que a iniciativa trouxe "impactos" (positivos) para a construção naval por meio de políticas públicas como a desoneração fiscal de IPI para o fornecimento de materiais. Cita a criação do Fundo Garantidor da Construção Naval, com a destinação de R$ 5 bilhões para a formação do patrimônio do fundo, e medidas de inovação, como a criação, em dezembro de 2009, da Rede de Inovação para Competitividade da Indústria Naval e Offshore.

Luiz Felipe Assis, professor do departamento de engenharia naval da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que construir navios e plataformas é possível, mas a questão é saber a qual custo. "Para ser competitivo a longo prazo é preciso investir em pesquisa e desenvolvimento", afirma Assis. Um dos pontos de maior dificuldade hoje é a falta de integração entre a indústria montadora (os estaleiros) e os institutos de pesquisa, como a Coppe/UFRJ e o IPT.

A criação da Rede de Inovação, setor, busca criar uma agenda tecnológica comum, determinada pela indústria, para desenvolver projetos de pesquisa. Sem esse esforço, segundo Assis, a demanda por encomendas pode não ser sustentável a longo prazo. César Prata, presidente da Câmara Naval e Offshore da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), tem uma visão crítica dos efeitos da PDP sobre o setor de navipeças (as empresas que fornecem partes, peças e equipamentos para os estaleiros montarem navios e plataformas).

De acordo com ele, as propostas de desoneração fiscal e os estímulos definidos para o setor só valeram para a ponta final da cadeia produtiva, os estaleiros, e não para o setor de navipeças, que não tem proteção (tarifária) frente a concorrentes estrangeiros. Segundo ele, os estaleiros podem importar navipeças com isenção total. "Nós continuamos perdendo espaço e concorrências [para fornecimento aos estaleiros]", diz Prata.
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